O Vínculo Mãe-Bebê: O sentido da existência

 
"...todo indivíduo mentalmente são,
todo aquele que se sente como uma pessoa no mundo
e para quem o mundo significa alguma coisa,
toda pessoa feliz, está em infinito débito com uma mulher".
Winnicott, D. W.

A maternagem é devoção, não como um ato de sacrifício, ou qualquer coisa que o valha, mas no sentido de poder a mãe exercer uma devoção comum, de quem sabe e compreende as necessidades de seu bebê, que possui uma inclinação natural para saber o que se passa com seu filho e para agir em relação a ele. Quero dizer que isso é um processo natural, que acontece intuitivamente, e assim deve ser. Entendemos aqui o conceito de maternagem como os recursos psíquicos que uma mãe emprega para que seu filho se constitua como sujeito, além dos cuidados quanto às necessidades básicas.

Em toda relação de uma mãe com seu bebê isso será fundamental, pois garantirá que tudo o que acontecer entre eles será experienciado como algo natural e genuíno.

A maternidade é um período de muitas descobertas, redescobertas e aprendizagens. A mãe deve estar muito à vontade para saber quando necessita de ajuda, seja do companheiro, ou quem zele pela manutenção da estabilidade do ambiente em torno dela e do bebê, seja alguém de suas relações pessoais ou parentais (mãe, avó, irmã, amiga) ou de algum profissional.

É fundamental para a saúde de seu bebê que a mãe conserve o gesto espontâneo ao cuidar dele, para que não se perca em meio a sugestões, informações, conselhos, orientações, a se mesclarem com os seus próprios sentimentos e intuições, lembrando que no período da gestação e o puerpério são comuns surgirem sentimentos ambivalentes na gestante, que, se não forem compreendidos, podem se tornar um fator de desarmonia nas próprias disposições psíquicas e na relação com seu bebê.

Este "saber" materno, que existe simplesmente porque é próprio do "ser mãe" não deve se perder. É a partir dessa consistência materna que o bebê irá consolidar-se como um Ser, mesmo que ele só se dê conta disso algum tempo depois de seu nascimento.

Quando tudo correr bem, a mãe será quem melhor pode cuidar de seu bebê, pois já foi preparada naturalmente durante nove meses (podendo variar em cada caso) para isso. A mãe "suficientemente boa" irá adaptar-se perfeitamente às necessidades do bebê neste início de sua vida. O bebê "sente" como se a mãe fosse ele mesmo, alimentando o sentido de confiança na vida, no mundo, no existir...

Portanto, se neste momento inicial de uma relação do par mãe-bebê, é essencial à mãe:
- que permaneça naturalmente devotada ao seu bebê, acreditando naquilo que deve fazer,
- que tenha o suporte externo de alguém que a compreenda (normalmente o companheiro(a)), sendo protegida de excessivas perturbações e preocupações, podendo contar com auxílio externo se assim achar necessário,
- que seja capaz de identificar-se com as necessidades do bebê e atendê-las de maneira natural e devotada.
Tudo isso possibilitará ao bebê fazer brotar de si mesmo uma noção de continuidade do Ser.

Porém, nem sempre as condições favoráveis estão presentes.  Aspectos relacionados com condições de saúde do bebê ou da mãe, ou mesmo perturbações do ambiente, influenciam o modo como a maternagem irá se estabelecer, interferindo no desenvolvimento psíquico e emocional do bebê.

A falha neste momento inicial da vida do bebê promove a experiência do abandono, onde o bebê não consegue  manter viva a imagem da mãe em si mesmo, o que lhe proporciona angústias de aniquilação, sensação de ausência de continente, uma constante ameaça de 'queda num abismo'.

Segundo Winnicott, nestes casos, o bebê sente sua existência ameaçada antes mesmo de "se sentir" alguém, sente que não pode "Ser no mundo".

As falhas que se repetem renitentemente poderão trazer trazer perturbações profundas na vida do bebê, trazendo-lha uma ausência de algo que dê sentido para sua existência, levando, dessa forma, essa falha inicial pela vida toda.

O auxílio psicológico pode auxiliar os pais a entrarem em contato com essas questões ainda no início do processo de maternagem para que se recoloque em marcha um desenvolvimento saudável.

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